Um dia Sodoma, no outro Gomorra

O espetáculo Um dia Sodoma, no outro Gomorra será apresentado sempre nas sextas-feiras, às 20h, no Teatro Museu do Trabalho.

 

    Dois libertinos que vivem imersos em uma escandalosa sensualidade são os protagonistas da peça, que abre a Trilogia da Intolerância, formada também por Que Graça Tem Esfaquear o Travesseiro? e A Farsa Do Capitão Carijó programadas para 2020. O texto e a direção de Julio Zanotta convidam o público a conhecer a intimidade de Vargas e Gilda - interpretados por Pablo Parra e Isa Meza Tzin, casal movido por desejos impuros em uma nova era infame. Na suspeita Sodoma, a liberdade é loucura e a crueldade é fascínio. Vargas, um libidinoso vulgar, é um carrasco ambíguo com um passado comprometedor. Atua sem intermediários no controle de todas as perversidades. Gilda, uma devassa deprimida, busca encontrar sua dignidade perdida. Tenta sair de uma condição já suficientemente gradeada pela paixão licenciosa. com texto e direção de Julio Zanotta, o espetáculo abre a Trilogia da Intolerância, formada também por Que Graça Tem Esfaquear o Travesseiro? e A Farsa Do Capitão Carijó programadas para 2020.

 

    A encenação é pontuada por modinhas satíricas, compostas e interpretadas ao violão pelo ator Pablo Parra, que embalam o confronto da palavra delirante com o Brasil contemporâneo. Não há truques, Um dia Sodoma, no outro Gomorra encara de frente o autoritarismo e a realidade política que atravessamos. A polêmica se conjuga nos delírios sexuais dos personagens. São obrigados a adorar Joe Pig, uma cabeça de porco, enquanto carregam um piano quebrado. O culto ao Porco é um protesto. Apesar de muda, a sinistra carcaça representa um grito contra a matança cruel dos animais abatidos para consumo humano.

 

    Iluminada à luz de velas, a ação dramática acontece dentro de uma mostra fotográfica com imagens da própria peça, assinada por Gilberto Perin. Os atores não utilizam maquiagem nem figurino. Vestem-se com as mesma roupas que usam em seu cotidiano. Filho do falecido ator Catulo Parra, é a terceira vez que Pablo Parra participa de uma peça de Julio Zanotta. Fez o papel de Juca Tigre no musical A Guerra Civil de Gumercindo Saraiva e o papel título em Ulisses No País das Maravilhas. Iza Meza Tzin faz sua estreia no teatro profissional. Atriz de grande potencial dramático, busca uma performance carregada de força e lirismo.

 

    Julio Zanotta escreveu mais de 50 peças teatrais, 30 das quais encenadas. Ganhou o Prêmio Funarte de Dramaturgia (2003) e o título de Cidadão Honorário da Cidade de Porto Alegre. Duas peças suas deram origem ao grupo Ói Nóis Aqui Traveis. Durante a ditadura, teve que deixar o país por ter escrito e encenado As Cinzas do General. Em 2013, a Coordenação de Artes Cênicas da secretaria Municipal de Cultura realizou a Semana Julio Zanotta. Foram nove noites de leituras dramáticas de textos inéditos do autor, com a direção de importantes nomes da cena porto-alegrense.

 

Ficha técnica

Texto e direção: Julio Zanotta

Elenco: Pablo Parra e Iza Meza Tzin

Exposição fotográfica e fotos de cena: Gilberto Perin

Canções: Pablo Parra com letras de Julio Zanotta

Design gráfico: Fábio Zimbres

Produção: Patrik Simões

 

 

UM DIA SODOMA, NO OUTRO GOMORRA, texto e direção de Julio Zanotta

Temporada: Sempre nas sextas-feiras até 20 de dezembro

Hora: 20h

Local: Teatro Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230 – Centro Histórico – fone: (51) 3227.5196

Ingressos: R$ 20 e R$ 40

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