The Cult em Porto Alegre [REVIEW]

No começo dos anos 90 a MTV estava chegando ao seu auge no Brasil. Bandas como Metallica, Nirvana, Guns n’ Roses  e Mr. Big (que fez show recentemente em POA - confira aqui nossa cobertura) tinham seu sucesso multiplicado graças aos videoclipes exibidos pela emissora. Entre todas essas bandas, uma em especial tinha uma sonoridade diferente, algo meio soturno, meio gótico, meio...Cult. Era o vídeo da música Edie (Ciao, Baby) que me fez aderir ao culto - e que infelizmente a banda não tocou, mas...

 

No dia 17/09/2017, a Hits Entretenimento trouxe a banda inglesa The Cult à Porto Alegre, com a turnê do disco Hidden City. Bar Opinião abarrotado. Camisas do Cult mesclavam-se às camisetas do The Doors graças a semelhança de Ian Astbury com o líder do The Doors. Tanta semelhança que o diretor Oliver Stone pensou seriamente em chamar Ian para interpretar Jim Morrison no cinema - papel que ficou com Val Kilmer, em sua maior performance até hoje. Além disso, Ian também fez os vocais na última turnê do Doors. Ou seja, uma confusão bem boa para os fãs de ambas as bandas (ah, e Roadhouse Blues tocou duas vezes desde que cheguei ao Opinião :)

 

Ao som de Wild Flower, Ian Astbury (vocal e pandeiro meia-lua insano), Billy Duffy (guitarra), John Tempesta (Bateria), Damon Fox (guitarra e teclados) e Grant Fitzpatrick (baixo) adentram o palco do Opinião e já emendam outra clássica: Rain, que fez alguns marmanjos marejarem os olhos. Falando nisso, ao contrário de outros shows com bandas veteranas que passaram por aqui, o público tinha uma média de idade que não variava muito, provando que o culto é para seguidores fiéis, mas fervorosos ao cantar o refrão de Peace Dog.

 

Astbury vez em quando trocava uma ideia com a galera, "anotando" pedidos: “O cara pediu por Fire Woman.. Pode deixar que vai rolar..” e também “vou mudar meu nome para Eisenbahn (a cerveja)! Não sei, tô falando merda??”. Não, Ian. A ceva é de qualidade, fica tranquilo.

Depois, mais duas clássicas: Lil Devil e Nirvana, para emendar as duvidosas escolhas para se colocar em um show em que a adrenalina não teria motivos para baixar, senão as quebradoras de clima do novo álbum Hidden City: Birds of Paradise e Deeply Ordered Chaos, além de Phoenix, do excelente álbum Love. Ok. Pelo menos deu tempo pra galera buscar aquela Eisenbahn bem gelada (Alô, Schin! Manda um fardinho pra nós pelo menos ;)

 

A banda compensa essa parte mais morna do show simplesmente detonando na sequência três das suas maiores obras: Sweet Soul Sister, She Sells Sanctuary e Fire Woman. Billy Duffy visceral na sua guitarra. Astbury quase arrancava sua mão tocando a meia lua que volta e meia era arremessada e voltava quase que como mágica para suas mãos. O suficiente pra o público presente passar um semana inteira arrepiado. Sensacional!!

 

Já no bis, Astbury convoca a massa: “Nós estamos aqui por vocês, então façam barulho, por@*%!!!” puxando King Contrary Men e encerrando em alta rotação o show com Love Removal Machine. Resultado: dois pandeiros arremessados pra galera (que saíram felizes da vida com os presentes), bumbo derrubado e Duffy gritando “We won’t forget you, Porto Alegre". Final de show de rock mais clássico que esse, impossível.

 

Em um show curto, mas intenso, os caras mandaram ver, mostrando boa forma e aparentemente livre das tretas que sempre marcaram a banda. The Cult deixou seus fãs plenamente satisfeitos - ou quase - acho que dava pra colocar mais um bis nisso aí, com G O A T, Edie e Revolution. Aí sim ficava de bom tamanho.

Mas sou fã e os perdoo. Fica pra próxima, e que seja em breve ;)

 

Texto e fotos: Adriano Moreira

Edição: Peterson Brum

 

 

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