Coletivo Errática estreia seu novo trabalho


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Estreia no Teatro Renascença, o novo trabalho do Coletivo Errática,"Dispositivo - Gaivota", uma transcriação de "A Gaivota", de Anton Tchekhov (1860 - 1904), com dramaturgia e direção de Francisco Gick. O espetáculo fica em cartaz até 23/06.

À beira de um lago congelado, o dramaturgo Tchekhov, num acesso de febre, delira sua Gaivota. E nesse delírio, que também é nosso, a peça escoa por caminhos inesperados. O "Dispositivo-Gaivota", criado pelo Coletivo Errática é uma apropriação de “A Gaivota”, de Anton Tchekhov, uma das maiores obras da dramaturgia moderna, que desdobra narrativa e personagens ecoando temas do Brasil de hoje em um espetáculo veloz e contundente.

"A Gaivota" tece uma narrativa de desejos não efetivados, em relação à arte, ao teatro, ao amor, à vida, de personagens incapazes de compreender completamente seu destino, mas que não cessam de buscar algum sentido para suas existências. A Gaivota ressoa em nós. Somos Trepliov, somos Nina, somos Miedviedienko. As dúvidas sobre o teatro, sobre o amor, sobre a vida, são nossas dúvidas, as tentativas são nossas tentativas, os fracassos são nossos fracassos. Também nós olhamos para o futuro e esperamos, também nós não desistirmos de buscar sentido e – “você pode achar isso um pouco ingênuo, cafona, romântico, anacrônico e até despropositado” – também nós seguimos acreditando no teatro como uma forma de mudar o mundo.

"O Dispositivo é uma espécie de delírio. E um delírio é outro tipo de acesso. Um Delírio-Gaivota que vibra a peça, põe a obra de Tchekhov em estado de variação e nos conecta ao que é vivo, ao que é presente, ao que é risco, como um homem bomba e seu colete, como um artista e sua obra... o corpo vibra, transpira, brilha sob a luz, 1000 watts, 1000 watts. O corpo vibra em ressonância com a peça, se afeta. O corpo deseja. As personagens de Tchekhov são como nós, inconclusas, indefinidas, cheias de dúvidas, angustiadas por um mundo que não podem compreender. Como nós. A personagem é multidimensional, tem suas fronteiras borradas, é variável, transitória. Como nós, sujeitos descentrados do nosso tempo, identidades desfeitas, nós mesmos desfeitos. E a capacidade de se desfazer talvez seja ainda o melhor de nós...Não há identificação possível, não há sobreposição possível. Há ressonância, atração e deslocamento. Personagem e atriz vibram, atraem-se mutuamente, deslocam-se mutuamente. Há um trânsito atriz-personagem, ator-personagem que não cessa. Linhas por onde a peça escoa, extravasa, cria outras linhas, volta pelo mesmo caminho, salta por entre fragmentos dispostos não linearmente. Narrativa: coisa-que-se-faz-agora, na presença do público, produto do encontro. Dispositivo: superfície sobre a qual os corpos vibram e se afetam. Arkádina faz Gustavo enquanto Gustavo faz Arkádina. A representação, dobrada sobre si mesma, evidencia a qualidade performativa do acontecimento. O tempo da cena é o tempo de quem vê a cena. O espaço da cena é o espaço de quem vê a cena.

A FICÇÃO É UM ACORDO. O real irrompe a todo o momento e atravessa o tecido narrativo desse"Dispositivo-Gaivota", que não se pretende universal e atemporal, mas, pelo contrário, tão local e tão imediato quanto possível. A qualquer momento, convido uma atriz ou um ator para uma breve entrevista e faço perguntas como: o que é uma gaivota? O que é um lago? O que é uma peça de teatro? E as perguntas produzem outras perguntas e cada resposta, é também um esgotamento da capacidade de responder. Uma conclusão possível: a impossibilidade de compreender a vida enquanto corpo parado ou movendo-se em baixa velocidade; seria preciso ser corpo em movimento e acelerar, entre outros corpos que se movem, mover-se. Nenhuma resposta, apenas perguntas lançadas em direção ao passado, ao presente, ao teatro e a Tchekhov". (Francisco Gick: Diretor e dramaturgo do espetáculo).

SOBRE O COLETIVO ERRÁTICA

Fundado em 2012, o Errática é um coletivo de artistas de teatro gestado no curso de Graduação em Teatro – Licenciatura da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs). O Errática vem se destacando no cenário das artes cênicas do Rio Grande do Sul pela qualidade e inovação de suas produções, as quais receberam importantes distinções como os Prêmios Açorianos,Tibicuera, Braskem, Olhares sobre a Cena, ATEB/Cenyn e Prêmio Nacional para Cultura de Redes do Ministério da Cultura, estes dois últimos em nível nacional. Em 2018 foi um dos 20 grupos do Brasil convidados pelo SESC a circular pelas principais cidades do país no circuito nacional do Palco Giratório 2018, apresentando os espetáculos “Ramal 340: sobre a migração das sardinhas ou porque as pessoas simplesmente vão embora” e “PLUGUE: um desvio imaginativo” em 10 estados.

Apoio Cultural: FUNDARTE, Casa de Teatro de Porto Alegre, Cubo, RBSTV, Ristorante Fontana e Charlie Brownie.

Serviço:

O Que: “Dispositivo – Gaivota”, com o Coletivo Errática.

Quando: de 07 a 23/06, sextas, sábados e domingos, às 20h30min.

Onde: Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307).

Quanto: R$ 30,00 (inteira).

R$ 15,00 (estudantes, idosos, classe artística, alunos da Casa de Teatro de Porto Alegre e funcionários da rede municipal).

Venda antecipada (pagamento em cartão) no site:

https://www.entreatosdivulga.com.br/dispositivogaivota


*crédito da foto: Adriana Marchiori.



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