Exposição de Gustavo Assarian inaugura na Galeria Ecarta


Galera PoaCult,

A Galeria Ecarta promove a abertura da exposição Os infortúnios nos são úteis, de Gustavo Assarian, com curadoria do paulista Gilberto Habib de Oliveira.

A mostra será composta de 15 desenhos recentes e inéditos, produzidos nos últimos três anos, com uso mínimo de cor e espaços em branco. De acordo com o curador, os desenhos de Assarian provocam uma avalanche de associações pelos vínculos figurativos com a história da arte. “A mimese realista e o preciosismo das linhas são potenciais no trabalho do artista. Entretanto, eles nos instigam a compreender outro elemento: a inserção abstrata de um grafismo negro que transversaliza os personagens do artista como espécie de “navalha”, reflete.

Os infortúnios nos são úteis são estruturas de um discurso sintáxico, ou seja, desenho, repetição, uso mínimo de cor e espaços brancos; e semântico com muitos vazios e silêncios, inquietações e estranhamentos. “Trabalho exclusivamente em cima de situações que considero de crise e como elementos de tensão”, constata Assarian. Por isso as obras são permeadas de estruturas duras, frias e pontiagudas para sinalizar adversidades que atravessam, cortam e ferem o desenho, além de apontar vulnerabilidade à dor, mistério e alerta.

Simbolicamente, os elementos pontiagudos nas figuras desenhadas por Assarian estão muito próximos das espadas cravadas no coração de Nossa Senhora das Dores, do mestre barroco Aleijadinho, um dos exemplos da arte brasileira. Por outro lado, o inquietante estranhamento da estrutura negra, um tanto fleumática e imperativa, é tão insólito quanto o monolito de Stanley Kubrick no filme 2001 - uma Odisséia no Espaço.

Para Oliveira, uma linguagem artística bem articulada transversaliza não apenas a figura, mas o olhar do público. “O observador atraído pela precisão do realismo, mergulha na imagem e se deleita com o desenho, para, em seguida, ser surpreendido por uma proposta estética que corta a fruição como a “navalha” e não importa cogitar se estes problemas ou infortúnios pertencem às pessoas: eles nos são reconhecíveis. São equivalentes semânticos dos infortúnios, conflitos, traumas ou perturbações vivenciados, cujas rupturas e reviravoltas encaminham para superações e processos de cicatrização que conduzem ao amadurecimento. A iconografia de Assarian é, a seu modo, uma hagiografia silenciosa, feita de cenas autobiografadas nas quais o artista se espelha, ao mesmo tempo em que se artificializa.

Haverá também duas atividades paralelas à mostra com entrada franca. A primeira será uma palestra no mesmo dia da abertura (07.08) com o curador Gilberto Habib de Oliveira. O bate-papo, das 17 às 18h30, vai tratar sobre o caráter da exposição e do livro Fundição Artística no Brasil, que Oliveira é coautor e em comemoração ao Dia do Escultor Gaúcho. A mediação ficará por conta do presidente da Associação de Escultores do Estado do Rio Grande do Sul (Aeergs), Lucas Strey.

A segunda atividade integra o projeto Comunitária que consiste em um programa de Residência internacional de Arte Contemporânea com pesquisadores da Argentina, Chile e Brasil para intercâmbios coletivos entre artistas, pensadores, gestores e moradores locais. Para isso, na terça-feira (14.08), das 19 às 21h, haverá lançamento do primeiro livro do projeto, intitulado Comunitária, reunindo as imersões presentes nas residências e a noção de arte-política e processos sociais. O lançamento inclui um bate-papo com presença da crítica de arte Paola Fabres, que coordena o programa de residência no Brasil, além da artista visual Maria Helena Bernardes, que é autora do livro Vaga em Campo de Rejeito, e do cineasta, artista e pesquisador independente, Leonardo Remor. O livro estará à venda na Ecarta no valor de R$60.

Gustavo Assarian – graduado há três anos em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Possui produção artística em desenho, pesquisando as possibilidades do desenho em uma autobiografia. Participa do coletivo de pintura Estúdio P, coordenado pela professora, pesquisadora e artista, Marilice Corona. Em 2017 participou da quarta edição da exposição “Novíssima Geração” no Museu do Trabalho, em Porto Alegre. No momento cursa licenciatura em Artes Visuais na Ufrgs.

Gilberto Habib de Oliveira – professor na Faculdade Paulista de Arte, especialista em museologia e bacharel em artes plásticas. Durante dez anos atuou como educador e pesquisador da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Coordenou o núcleo de museologia, do Museu Afro Brasil, na fase de implantação e fez parte do Museu Paulista da USP. Idealizador e docente de cursos de capacitação profissional para técnicos em museus e exposições no Senac-SP. Realiza curadorias independentes de exposições em São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Salvador, Recife e Buenos Aires, além de desenvolver estudos sobre patrimônio público, memória e identidades.

Galeria Ecarta – dedicada à arte contemporânea e à experimentação produzida no Rio Grande do Sul. Completou 13 anos recebendo, em média, seis exposições anuais. Promove também itinerâncias, laboratórios de curadoria e montagem, entre outras atividades próprias e em parceria com instituições em âmbito local, regional e nacional. A coordenação é do artista, curador e gestor cultural, André Venzon.

Serviço:

O Que: Abertura da exposição Os infortúnios nos são úteis, de Gustavo Assarian, e palestra com o curador Gilberto Habib de Oliveira sobre o livro Fundição Artística no Brasil Quando: abertura na terça-feira (07.08), às 19h, e palestra das 17h às 18h30 Visitação: até 9 de setembro (de terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 10h às 18h) Onde: Fundação Ecarta

End.: Av. João Pessoa, 943 Entrada gratuita Outras informações: 51. 4009 2970

http://www.ecarta.org.br/ https://www.facebook.com/galeriaecarta/

*crédito da foto: Filipe Conde.


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