[Entrevista] Guz Zanotto


Dj e produtor do programa de música eletrônica ATL DJ na Rede Atlântida, Guz alcança a marca de 1 milhão de ouvintes diários, seus remixes e músicas autorais são reproduzidos para todo o Brasil. Após assinar o encerramento do palco principal do Planeta Atlântida, lançou sua faixa autoral "Live Again" pela LK2 Music. Retornando da sua apresentação em Miami Beach, em 2015, emplacou sua label Candy Shop nos principais Clubs do Brasil.

O PoaCult teve a felicidade e o prazer de bater um papo com este grande profissional, saber um pouco da sua história, da sua trajetória, enfim...

Confira!!

PoaCult - Como e quando nasceu a vontade de ser Dj? Mais especificamente, como surgiu o Guz Zanotto na música eletrônica, em uma cultura tradicionalista como a nossa?

Eu comecei com muita influencia do meu irmão (Léo Z), desde criança. Eu era criança ele já era DJ, então nasci com toda essa experiência de trabalhar muito com musica em casa. Comecei tocando em bandas e segui mais pra linha do rock. Fui trabalhar nos clubs como VJ - que é quem faz as imagens, os vídeos - e nisso eu já fiquei muito tempo convivendo com esse universo. Fui estudar produção musical antes de ser DJ até que, no fim, tudo se encontrou e eu comecei a unir tanto a minha parte como músico e produção musical.

PoaCult - A música eletrônica cresceu muito no Brasil e aqui no sul, rolam muitas festas voltadas para o público que se identifica cada vez mais com este estilo. Como tu vês o cenário eletrônico no Brasil e que comparativo tu podes fazer com o sul do país?

Eu acho que o cenário eletrônico vem crescendo, embora uma crise generalizada no país acaba atrapalhando e freando o entretenimento como um todo, a musica eletrônica vem crescendo e acho que o Rio Grande do Sul - o sul do país sempre foi muito forte. Santa Catarina é um dos berços do cenário eletrônico e a gente tá coladinho aqui - nós somos um dos estados que mais consome a música eletrônica, trabalhamos muito forte. Também acredito que, embora os outros estilos sejam fortes no país todo, existem regiões que alguns outros estilos dominam 100%, e aqui não. Aqui a gente é mais eclético – ouve um pouquinho de tudo – e a música eletrônica tem uma força legal, forte no RS.

Falando um pouquinho sobre o cenário nacional, eu acho que a gente nunca teve tão forte. Tanto aqui, como exportando essa musica pro mundo todo. Eu acho que nunca tivemos tantos representantes nacionais tocando no mundo inteiro e levando o nome do Brasil como música eletrônica pra fora.

PoaCult - Pode-se dizer que tua carreira alavancou com o encerramento do Planeta Atlântida? Como era tua agenda antes e depois deste mega evento? Como é ter um programa de rádio diariamente? E qual a importância deste espaço para a música eletrônica?

O Planeta Atlântida eu acho que ele não só alavanca a carreira, com certeza, como ele muda nossa vida, né? É um sonho de criança. Qualquer criança que nasce no sul do Brasil sonha com o Planeta Atlântida. Eu então, que já vinha como músico por tocar em banda, já sonhava com isso e, cara, é uma mudança de vida, de carreira com certeza, uma exposição muito grande e é um momento que ficou marcado até hoje, embora já tenha feito eventos grandes, já tenha tocado em vários clubs que eu sonhei. Já fiz turnê internacional – ano passado pude ir pra China com Alok – ainda assim, é uma data que tá marcada e muito na minha carreira, é muito forte. É muito legal. Sem dúvida é um festival incrível, que tem uma magia muito forte. E sobre o rádio... pô, hoje é uma das paixões da minha vida. É fazer o rádio diariamente. Eu faço com o maior prazer, maior carinho. Sinto gosto por isso. A gente acaba tendo um apreço muito forte por esse espaço de poder levar pra audiência um pouquinho do que tá rolando no mundo. Fazer esse trabalho é muito bom. Esse espaço tem uma importância muito bacana, porque além da gente fazer o programa na tarde, a gente tem os programas à noite, no final de semana, voltados totalmente pra música eletrônica... Acho que rádio é a exposição. Só cresce o gênero assim como qualquer meio de comunicação. Com certeza a importância é imensa pra que a gente possa fortalecer ainda mais o estilo e acostumar quem não conhece a conhecer, gostar, sentir gosto por ouvir a música.

* Guz Zanotto e o projeto ATL DJ encerraram a segunda noite do Planeta Atlântida de 2014.

PoaCult - Como surgiu o ATL DJ? E como é a parceria entre tu, o Alexandre Fetter e o Leo Z?

O ATL DJ* começou como uma brincadeira. O Fetter (Alexandre Fetter – Comunicador da Rádio Atlântida) já conhecia meu irmão Leo e convidou ele pra fazer um programa de verão, pra mudar o verão da rádio no ano em que a gente encerrou o Planeta (Atlântida). Aí o Leo disse: “pô, eu topo”, e me apresentou pro Fetter – por eu já trabalhar com produção, com outras coisas, no intuito de eu poder ajudar porque ele não poderia assumir sozinho. Então a gente começou juntos, nós três... e o programa que era pra ser somente por um verão, acabou sendo uma audiência extraordinária durante essa temporada! Aí veio o convite pra gente encerrar o Planeta Atlântida e, cara, estamos juntos até hoje, graças à nossa audiência maravilhosa que tá sempre com a gente, nos acompanha e nos mantém nesse horário desde essa época. Chegamos aos quatro anos de ATL DJ e começou como uma brincadeira, como um teste e, pô, deu certo e todos nós ficamos muito felizes com isso. A gente trabalha juntos até hoje e tamo seguindo em frente.

* ATL DJ: Programa de música eletrônica da rede Atlântida, formado pelo apresentador Alexandre Fetter e os Djs Leo Z e Guz Zanotto. De segunda a Sexta as 14:00 e as 21:00.

PoaCult - Tu és graduado em Produção Musical e cresceu no meio musical. Qual a importância que tu dás quanto a questão da educação, do aprimoramento para um Dj?

Às vezes parece que a gente é repetitivo, né? Em qualquer área falando sobre a importância da educação. Eu acho que a educação, primeiro como ser humano, ela é fundamental e ela é a solução pra quase que, não todos, mas a maioria de todos os nossos problemas enquanto sociedade. Então eu acho que para um profissional ela não deixa de ser importante tanto quanto, né? A gente se focar numa educação, focar num estudo... a gente nunca pode achar que o estudo é demais ou vai nos prejudicar, então eu acho que pro DJ também é importante. A gente vive um cenário muito diferente hoje onde o mercado tá mais concorrido, tá mais difícil, até por essa grande diversidade de gêneros que eu acho que um DJ que estudou produção musical consegue atuar em várias áreas. Às vezes você não foca em tocar, mas tá fazendo remixes oficiais, tá trabalhando com musicas autorais, músicas próprias então sempre que você tem estudo a gente consegue ir pra muito mais áreas diferentes e acho que não se aperta. A gente pode desenvolver, e a gente desenvolve outras habilidades e outros recursos e consegue inclusive atuar em outras áreas dentro da música....

PoaCult - Hoje temos uma grande oferta de cursos para DJ's espalhados pelo Brasil. E temos muitas pessoas se auto-denominando Dj. Qual a dica que tu poderias dar para quem quer começar ou investir nesta profissão?

A dica que eu posso dar pra quem quer começar a investir na profissão - é lógico - é estudar, fazer os cursos. Realmente ficou muito mais fácil. Quando eu comecei quem me ensinou foi meu irmão. Os cursos existiam em algumas capitais – eu lembro que em São Paulo tinha um curso muito famoso. Em Porto Alegre hoje a gente é muito bem servido, a gente tem curso presencial - sem falar de todos os cursos online, não só de DJ, mas já tem de produção, produção avançada, produção em música eletrônica, vários segmentos. Hoje é bem mais fácil da gente estudar. Eu acho que é de praxe: se você quer começar, quer se diferenciar, com certeza tem que buscar um curso, buscar uma especialização – assim como qualquer outro mercado – vai ter concorrência, você vai ter que brigar pelo espaço.. então, com certeza: focar no estudo.

PoaCult - Sabemos que as festas que tu assinas são sempre lotadas. Qual a tua relação com os fãs que te seguem e que consomem as tuas produções?

Os fãs são a base de todo e qualquer artista. Eu só tenho a agradecer imensamente, tanto pelos contratantes que nos dão a credibilidade, pelos fãs que acreditam no nosso trabalho, que lotam as festas e, cara... Além de tocar nos finais de semana, eu acabo lidando com o publico diariamente por causa do programa, então eu acho que a relação - além de rede social, de tudo onde eu possa interagir e agradecer muito quem acompanha - a gente recebe muitas mensagens de gente dizendo que gosta do trabalho, que acompanha de cidades distintas...cara, eu sempre tento poder responder, porque é um imenso agradecimento. Porque quando você faz um trabalho, mesmo que alguém te contrate e te pague um valor pra você trabalhar, de qualquer forma não existe uma gratificação maior do que receber um fã elogiando o trabalho. Acho que assim, como em qualquer área, por mais que a gente trabalhe através de uma remuneração financeira, porque é normal, é o ciclo da vida, é como funcionam as coisas... a gente ter essa resposta de alguém que gosta do nosso trabalho, dá valor para o que a gente fez... cara... acho que esse é o foco principal.

PoaCult - Guz, as festas eletrônicas são sempre muito, muito lotadas... Além da música em si, o que a música eletrônica pode ensinar para a sociedade?

O maior ensinamento que a gente pode ter em inspiração, principalmente para a nova geração, é a gente poder ter nessas festas eletrônicas artistas nacionais com tanto prestigio e visibilidade tanto no Brasil como no mundo. Eu acho que é o despertar de um sonho, é a gente que pode correr atrás, alcançar... Eu toco muito com o Alok em algumas apresentações e cito ele de referencia porque, poxa, ele tem muitos fãs, a gente acompanha..cara, uma festa com uma multidão de gente vendo um DJ como ele tocar serve de inspiração pra muita gente. Eu acho que através de inspiração, de você ver um ídolo e continuar "correndo atrás”... é assim que a gente pode formar novos DJs, pode também formar mais gente que não ouviria musica eletrônica e pode conhecer a musica através do Alok, mesmo sendo um artista hoje também pendendo pro lado pop, ele carrega junto com o pop todo o berço dele de musica eletrônica. Então eu acho que assim a gente consegue trazer as pessoas pra esse mercado e depois que elas estão dentro da musica eletrônica aí sim elas podem escolher qual a linha dentro da música eletrônica que possa interessar mais a elas. Então eu acho que toda essa exposição – a gente tem grandes outros nomes – ajudam nessa formação. Mais gente tendo interesse pela musica eletrônica, pela cultura da musica eletrônica e assim fortalecendo mais os artistas, os eventos e os futuros artistas.

PoaCult - Qual é (ou quais são) a inspiração (as inspirações) do DJ Guz Zanotto? Quem são os artistas que te influenciam?

Pô cara, eu sempre tive muita inspiração no Fetter, sempre ouvi ele desde criança, então foi muito legal trabalhar com ele. Acho ele um cara monstro dentro do rádio e sigo ele muito como inspiração. Já no meio musical eu acho que esses artistas que dominaram – a gente sempre teve inspiração nos artistas internacionais, mas eu prefiro muito mais ressaltar esses artistas nacionais que fazem um trabalho muito forte – como eu já falei do Alok, como tem o Vintage – o Vintage Culture faz um trabalho absurdo aqui no Brasil, Cat Dealers , toda uma nova geração que cresce muito dentre tantos outros que eu poderia citar e, cara, eu admiro demais o trabalho desses artistas e acho muito legal a gente poder ter admiração aqui mesmo, não precisar ir pra fora. Há alguns bons anos atrás – eu ainda gosto de um trio que nem existe mais, o Swedish House Mafia, Avicci, Calvin Harris, o Ghetta.. sempre foram nomes fortíssimos que a gente gostava, ouvia falar.. era algo de outro mundo. Hoje a gente vê nossos artistas brasileiros também batendo lado a lado com esses caras, crescendo muito , lotando festas aqui – de sul a norte do Brasil – que talvez os mesmos artistas gringos não conseguiriam levar tanta gente e eu sigo muito de inspiração essa gente que é aqui de pertinho mesmo, esses artistas nacionais que tão crescendo muito e fico muito feliz da gente estar fazendo uma cena tão bacana levando nossa música pro mundo todo.

*crédito da foto: Acervo Pessoal.


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