Eu é Nós integra programação dos 50 anos do Teatro de Arena


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Integrando as comemorações dos 50 anos do Teatro de Arena, Suzana Saldanha retorna a cartaz com seu solo de auto-ficção Eu é Nós. Não é por acaso que Suzana participa desta programação de aniversário do teatro: em 1979 recebeu prêmio de melhor atriz pela “Comédia dos Amantes” no palco do Arena.

A atriz, que fez história no Grupo de Teatro Província, renovador da estética teatral porto-alegrense na década de 1970, conta que Eu é Nós surgiu da palavra “desamparo”, destacada no livro “Quem pensas tu que eu sou?”, de Abrão Slavutzky, autor base na concepção do projeto que tem direção de Luís Artur Nunes.

No início dos anos 1980, Suzana se mudou para o Rio de Janeiro, onde se juntou ao Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, do diretor Aderbal Freire-Filho. A amizade com Luís Artur é de longa data, desde 1968 da época do DAD (Departamento de Arte Dramática da UFRGS) e foi amor à primeira vista.

“Durante a escritura de Eu é Nós, Suzana me pediu palpites, orientações, correções. Eu a atendia com prazer. Não porque é minha amiga, mas porque o material é excelente. Se não fosse, justamente em nome da amizade, eu lhe aconselharia com franqueza (e delicadeza) que desistisse. Mas Suzana é uma atriz. E tudo que escreve soa como a fala de um ator, tem a embocadura, a ressonância de uma voz cênica, carrega no bojo sugestões de ação dramática, de poesia corporal, sem as quais o palco não se sustenta”, afirma o diretor.

Sobre o tema do espetáculo, Suzana explica: “do Desamparo, logo veio o desejo de um espetáculo solo que navegasse entre o dramático/cômico e onde o humor fosse a chama de autopreservação que mantivesse sempre acesa a esperança, como disse Abrão Slavutzky. Esta auto-ficção fala dos sentimentos que guardamos e podem se transformar e nos transformar; na busca da tolerância em um momento em que ela mais do que nunca é essencial”, conta. Eu é Nós, segundo a atriz, é “uma mistura de fragmentos de peças, poemas, cartas, fotografias e música, a produção tem como eixo o tema do desamparo, transitando entre realidade e ficção. Ter um espetáculo solo é uma independência. Realmente queria dialogar com o público e estar mais perto. E sinto prazer com o resultado. Eu sou apaixonada por teatro”. Após as sessões, Suzana promove um bate-papo com o público.

Suzana Saldanha já trabalhou com diretores como Domingos Oliveira, Aderbal Freire-Filho e Gerald Thomas, além de manter sua parceria com Luiz Arthur Nunes desde o final dos anos 1960. Dirigiu a peça O mundo de Camila, monólogo para crianças estrelado por Márcia do Canto, e lançou o livro Meu nome é Anita, parceria com Elma Sant’Ana que reúne dramaturgia e resgate histórico de Anita Garibaldi. Recentemente dirigiu a leitura cênica Comunidade do Arco Íris no Festival Caio Entre Nós.

Entre os espetáculos teatrais que atuou, ela destaca A comédia dos amantes (1979), com direção Luís Artur Nunes; A mulher carioca aos 22 anos (1989), O tiro que mudou a história (1991) e O carteiro e o poeta (1997) com direção de Aderbal Freire-Filho; Electra Concreta (1986), de Gerald Thomas; e Senhora dos afogados (2010), com direção de Ana Kfouri.

Além de participar em novelas e programas de TV, Suzana também brilhou nas telas, venceu o prêmio de melhor atriz coadjuvante do Festival de Gramado com o longa Separações (2002), de Domingos Oliveira.

Serviço:

O Que: Eu é Nós Quando: 20, 21 e 22/10, às 20h. Onde: Teatro de Arena End.: Av. Borges de Medeiros, 835 Quanto: R$ 20,00 50% de desconto para idosos, estudantes, classe artística, profissionais da área da saúde e leitores do jornal Bem Estar. Antecipados - http://lideringressos.com.br/. Nos dias de espetáculo, na bilheteria do teatro, uma hora antes do espetáculo.

*crédito da foto: Gilberto Perin.


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