Lica Tito lança seu primeiro disco no Ocidente Acústico


Lica Tito tem a cultura Hip Hop correndo nas veias - seu histórico comprova. Mas em sua estreia solo, a ex-vocalista da banda gaúcha Groove James e fundadora do grupo feminino de Rap La Bella Máfia, mostra que sua sonoridade se diversificou e ganhou novas cores com pegada pop.

Filha de um DJ uruguaio, Lica cresceu cercada por um acervo de vinis que ia de Michael Jackson e Sly & the Family Stone a Tim Maia e Jorge Ben. Não demorou pra ela se aprofundar na Soul Music e no Funk dos anos 70 - e daí pro Rap bastaram uns rolês de skate em Porto Alegre, onde passou a adolescência. “Eu não conseguia ficar só na música: queria saber quem gravou, quem produziu, em que ano… E nessa de pesquisar, acabei estudando a cultura Hip Hop, suas origens, e conheci Afrika Bambaataa (nada menos que seu fundador), com quem tempos depois tive a honra de dividir o palco no Dulôco 99 em São Paulo”, conta.

A produção autoral de beats e rimas começou ainda na adolescência e a levou a pesquisar referências musicais de todos os gêneros para seus samplers. “Hoje os sons que mais escuto ainda tem esse clima urbano, street, black… isso sempre me acompanhou”, diz. “Ainda me sinto muito inspirada pelo nascimento da cultura Hip Hop, quando as diretrizes eram ‘Peace, Unity, Love and Having Fun’, conceito que ainda pulsa no meu coração, pensamentos e ações.”.

Com a entrada na big band Groove James, o vozeirão de LICA TITO - talhado desde a infância de solista no coral da escola - se destacou. Foram 7 anos de estrada com a banda e muito aprendizado musical: “éramos 9 integrantes com influências das mais diversas! Um novo mundo se abriu e fui viajando por outras sonoridades”. Mesmo assim, Lica mantinha o pé no Hip Hop e estava sempre se apresentando nos festivais de Rap - foi quando reparou que praticamente não havia mulheres rimando e resolveu montar o grupo feminino La Bella Máfia. As meninas se apresentaram por vários estados do país e fizeram barulho na cena do Rap nacional. Nessa época, além das duas bandas, Lica ainda tinha um programa de Rap no rádio e ministrava oficinas de rimas para crianças carentes. No início dos anos 2000, LICA TITO já era referência no Rap feminino brasileiro, ganhando prêmios como Melhor Música do Ano (Prêmio Açorianos 2001) e Melhor Rap Feminino do Brasil (Prêmio Hutúz 2006). Fez shows internacionais na Alemanha (durante a Copa do mundo), em Cuba (no Rotilla Festival) e cantou na sede da ONU em Nova Iorque, representando as mulheres latino-americanas. “Meu pai é uruguaio e tenho uma forte influência da cultura latino americana, é algo presente e que me chama muito”, diz ela, que gravou uma das faixas do novo disco em espanhol.

A decisão de seguir carreira solo a levou a trocar os pampas gaúchos pelas praias cariocas e finalmente gravar suas composições autorais num álbum que revela toda essa pluralidade musical. O repertório traz um mosaico de momentos inspirados nessa trajetória e sua sonoridade reflete amadurecimento artístico raro em um álbum de estreia - exatamente por isso o título “The Best of Até Agora”. O disco foi produzido e masterizado pelo multiinstrumentista Günter Fetter e mixado por Vitor Farias (que já mixou grandes nomes como Djavan, GIlberto Gil, Ed Mota, Titãs, Ney Matogrosso, Elis e Hermeto Pascoal, dentre outros).

LICA TITO sempre teve um pé no mundo. Não por acaso, seu disco tem participações especiais dos africanos Lenzo Rizzo (na faixa “Por Você”) e Riztocrat (na faixa “Noite”) e dos Rappers alemães Mistah Nice e Wus (na faixa "Cada Dia Mais e Mais”). A faixa "No Pasa”, cantada em espanhol, é uma obra aberta que deixa espaço para um dueto potencial. Ela explica: “Quem quiser fazer dueto comigo pode gravar sua versão. Esse espaço é um convite às parcerias, pois trago na bagagem a cultura e ela tem muito disso: união, participação, recorte, colagem, remix. Esse convite reforça esta ideia.”.

Serviço:

O Que: Lica Tito, lançamento do disco "The Best of Ate Agora". Quando: 06/04, às 23h - a casa abre às 21h. Discotecagem: Mano Lao Onde: Ocidente. End.: João Telles esq. Osvaldo Aranha. Quanto: R$30,00.

Realização: Rei Magro Produções.

* crédito da foto: André Tavares.


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